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O segundo turno das eleições de 2026 foi marcado por um conflito institucional entre o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral após decisão judicial alterar o horário de encerramento da votação em todo o Brasil.
A prorrogação até às 19h, determinada pelo ministro Cristiano Zanin após pedido das campanhas de Lula e Flávio, entrou em vigor às 17h48 — quando já havia seções fechadas às 13h30, 15h46 e 19h28 — gerando assimetria operacional, disparidade entre zonas eleitorais e risco concreto de anulação.
O Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral enfrentaram um impasse jurídico nacional em 25.out.2026 após uma decisão de última hora alterar o horário de encerramento da votação do segundo turno devido a falhas no transporte de eleitores. A medida gerou divergências imediatas entre os tribunais superiores e abriu margem para contestações judiciais. Com urnas já encerradas em algumas regiões enquanto outras permaneciam abertas sob longas filas, especialistas apontam risco real de questionamentos sobre a lisura do pleito.
Impasse na Cúpula da Justiça
A crise começou quando o ministro Cristiano Zanin atendeu a um pedido apresentado pelas campanhas de Lula e Flávio. A solicitação exigia a prorrogação do pleito até às 19h. O expediente tramitava desde as 15h46 nas mãos de Edson Fachin antes de chegar a Zanin faltando menos de meia hora para o término oficial. O presidente do STF e do TSE, Kassio Nunes Marques, havia recebido o mesmo pedido por volta das 13h30, mas não proferiu decisão. Após o anúncio inicial de Zanin, Kassio Nunes Marques entrou em contato telefônico com ele e argumentou que cumprir a ordem era operacionalmente inviável nas seções onde as urnas já estavam fechadas. Diante disso, Zanin editou nova diretriz às 17h48, limitando a extensão exclusivamente aos locais onde as urnas ainda operavam no momento do despacho.
Contudo, o estrago logístico já estava consumado: centenas de zonas eleitorais registraram fechamento às 13h30, 15h46, 17h48, 19h e 19h28 — com variações de até dez minutos entre vizinhanças. A página oficial de resultados do TSE registra, até o momento, 0,25% dos votos contabilizados em âmbito nacional, refletindo apenas as primeiras urnas totalizadas.
Riscos de Anulação Jurídica
Especialistas em direito eleitoral alertam que a assimetria temporal compromete a igualdade entre os votantes. Fernando Neisser ressaltou o problema técnico ao afirmar: “A partir do momento em que a urna é fechada, ela não tem como ser reaberta”. Ele destacou que “como a decisão chegou no momento em que você já tinha urnas fechadas e outras ainda abertas com fila, isso significa que há uma disparidade com relação às diferentes seções eleitorais”. Segundo Neisser, “isso abre a possibilidade de ser pedida anulação do segundo turno, com a realização posterior, daqui uma semana ou duas semanas”. Karina Matias e Jardiel Carvalho também participaram das discussões técnicas sobre a viabilidade da totalização.
O cenário permanece incerto enquanto advogados analisam os impactos da divergência entre os ministros. A Justiça Eleitoral deve definir nos próximos dias se a totalização prosseguirá com base nos dados parciais ou se haverá intervenção extraordinária — incluindo a possibilidade de nova votação em até 60 dias.